Prestes a começar uma nova
jornada, quase tudo certo na nova terra, permiti-me ter um momento de prazer:
decidi que era hora de assistir O Espetacular Homem-Aranha. Dessa vez seria
diferente, nada de 2D. Ainda não tinha experimentado o 3D, mas lembrei-me de um
conselho que recebi a poucas semanas de alguém que não foi fanático por
quadrinhos na infância, mas aprendeu a deliciar-se com eles nos últimos anos: “Assista
Os Vingadores em 3D”. Não deu. Agora seria minha chance.
Ir a uma sessão Marvel é algo diferente. Nossa, ainda me lembro dos tempos
de moleque, da leitura dos quadrinhos, a visita à banca de revistas em busca de
uma nova edição ou sebo à procura de um tesouro perdido. Os desenhos animados
eram o supra-sumo do prazer. O resto ficava a cargo da imaginação: “Quem seria
o Wolverine no cinema? E o Homem-Aranha? Imagine ele lutando com o Venom...”. O
resto já é presente. Ingresso na mão, óculos entregues, hora do show.
Adentrei ao cinema, localizei
minha poltrona e me acomodei. Tempo suficiente para observar os que chegavam.
Poltrona numerada não seria para facilitar a vida das pessoas? Não em Goiânia.
O casamento entre letras e números parecia inconcebível. “Onde fica L2? ‘Bein’,
F4 e F5 é aonde?” Enquanto isso eu tentava me familiarizar com o óculos, que
insistia em escorregar pelo meu rosto. “Alguém mais cabeçudo havia usado antes?
Duvido!” Fim dos trailers, letreiro rodando, mais um show Marvel estava por
começar.
Spiderman é sempre Spiderman e a
história deve seguir a mesma linha: Peter Parker, aranha, Tio Bem e Tia May, o
gosto por fotografia..., mas dessa vez a “pegada” parecia ser outra. A começar
pelo jovem Peter, mais moço, detentor da mesma genialidade científica, mas sem
aquela cara de paspalho, pendendo mais para o jovem Clark Kent do que para o
Wally. Seguindo o paradeiro de seus pais, acaba infiltrado OSCORP (sempre os
Osbourne!!) e picado pela tal aranha. Nada de aranha em museu ou feira de
ciência. Agora era uma espécie estudada pelo seu próprio pai, cultivada em
laboratório e fruto do projeto de seu pai. A genialidade se confunde com a
curiosidade de um adolescente e ele acaba transpondo limites e, como
conseqüência, é picado. O resultado? O moleque adquiri um reflexo descomunal,
super-força e saltos mirabolantes. A teia? Não, ele não sai por aí “cuspindo” a
esmo. Desenvolve um sistema lançador de um fio produzido na OSCORP. Colanzinho
devidamente costurado, inicia-se as aventuras do jovem Peter.
A sacada do filme fica por conta
de manter vivo os conflitos de um adolescente de 17 anos. Órfão, criado pelos
tios, sempre alvo de chacota na escola, nutre um paixão por Gwen Stacy. “Ah
Gwen, e ainda pensavam que Mary Jane era o grande amor da vida de Peter. Doce
ilusão...”. Colegas de sala, Peter se perde no discurso ao ser confrontado pela
mesma. Ali seus super poderes são inúteis (ao menos que resolvesse sair
correndo pelas paredes!!). Capaz de lutar contra vários bandidos ao mesmo
tempo, de tirar sarro enquanto “embrulha”mais um meliante, se vê impotente diante de Stacy. Cabe a ela o
dever de quebrar o gelo, de dar o primeiro passo. Jovens...Assim com nos quadrinhos, ela se torna o porto seguro dele, onde tormentas e dúvidas pareciam serem superadas.
Mas até então não via o porque de
ter pago o dobro e estar usando um óculos irritante.Para te profundidade entre
as letras e o cenário? Passo. Ficava indo e vindo com o dito, pois não havia
força que o segurasse na minha cara! Então ele vem o cartaz de recompensa por fotos do Lagarto e a multifuncionalidade do Aranha é colocada à prova. Embrenhado nos esgotos, ele prepara uma armadilha com sua teia para tentar obter algumas imagens. Ah, a profundidade... impressionante ter a nítida extensão de cada fio lançado ao longo dos dutos, sua vibração ao menor sinal de movimento, o deslocar dos lagartos... e o Aranha locomovendo-se sobre eles? Demais!
Segue o filme. Conflitos, pancadas, romance e então chegamos ao epílogo: o franzino homem-aranha tinha que
lutar com uma lagartixa de seus quase 4 metros, salvar a Stacy e ainda fugir da
polícia de Nova York. Pra ajudar, ainda tomou um tiro e aí a coisa ficou feia. Já não era efetivo no lançamento de teias, tombava pelos prédios e, quando parecia imcapaz de chegar para a grande batalha, em pé sobre um terraço a
observar seu destino ainda distante, os amigos que ele fez em sua curta
trajetória como herói (claro, você não achava que não iria dar certo), resolvem dar uma mãozinha. Ele inicia sua corrida rumo ao precipício:
passo raso, passo fundo, passo raso, passo fundo, solta um punhado de teia e
vai pra luta.
Soco de um lado, chute de outro,
rabada da lagartixa, tira a máscara, estrangula, joga pra cima... isso tudo em
3D! Aí sim a tal da profundidade faz diferença. Bandido vencido, promessa que selaria seu futuro com a jovem Stacy feita, hora de
fazer o grande final: o vôo por Nova York. Uau, é quando realmente nós, que
sempre imitávamos as lançadas de teia, os vôos em seqüência e as aterrissagens
flexionadas, podemos desfrutar do tal do 3D. É um show de imagens, capaz de
fazer qualquer marmanjo ranzinza esboçar um sorriso. Uma viagem única, onde
primeira e terceira pessoa se confundem, onde a infância não parece tão longe
assim e a vontade de reviver aqueles tempos faz o coração bater mais rápido. O
Aranha continua sendo o Aranha, porém mais descolado, como o Peter Parker dos
quadrinhos, a Stacy não foi a primeira namorada, mas foi o amor que não pode ter seqüência, coisas da vida, nem por isso é esquecido, o Stan Lee continua aprontando das dele, claro.
Agora, ainda em transe pela experiência, fica o pensamento: imagine a luta do
Ironman com o Hulk em 3D? Meu Deus, acho que perdi uma oportunidade de ouro. Droga!

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